ouvinte
Michelle Branquinho

Michelle Branquinho

Como ser um bom ouvinte?

“Bom dia, tudo bem? ”. Você tem o hábito de fazer essa pergunta para alguém todos os dias pela manhã? Essa é uma atitude comum que todos nós procuramos ter, dia após dia. A pergunta aqui é, em quantas das vezes em que perguntamos essa simples questão para uma pessoa, estamos realmente prontos para ouvir uma resposta sincera? Muitas vezes entramos no automático ne respondemos: — “Eu estou bem, e você? ”.

Esse modo de viver é até comum e esperado, dado o nosso modo de viver atual. Rápido, dinâmico, sempre com um compromisso a ser riscado na agenda, sem muito tempo para respostas longas. Não é que você não se importe, mas é que não há muito tempo para longas escutas.

No entanto, saber disso não nos exime da responsabilidade de tentarmos ouvir uns aos outros com mais qualidade. Acredite, essa habilidade é importante e fundamental para a saúde das suas relações, principalmente as que exigem níveis maiores de profundidade.

Na prática, o que acontece é que as pessoas estão levando esse comportamento automático de pergunta pronta – resposta pronta, para dentro de suas casas. É exatamente nesse ponto que mora o perigo.

Nesse artigo, quero apresentar pensamentos práticos que poderão ajudar você a melhorar as suas habilidades de ouvinte. Mas, primeiro: por que você deveria saber escutar?

  1. A escuta cria um nível maior de conexão nas relações;
  2. Pessoas que sabem escutar são vistas com mais confiança;
  3. É uma oportunidade de se envolver com aquilo que vai além de nós mesmos;
  4. É uma ótima maneira para aprendermos, verdadeiramente, uns com os outros;
  5. O ouvir é um exercício para a empatia;

Essas são apenas cinco, entre as dezenas de razões pelas quais todos deveriam se dedicar em se tornar bons ouvintes. Destacando a palavra “empatia”, podemos relembrar o seu significado mais comum, entendido por muitos como a capacidade de se colocar no lugar do outro.

Sendo assim, pessoas empáticas compreendem emoções, anseios, inseguranças, sem necessariamente terem atravessado o mesmo tipo de situação. Essa capacidade precede essencialmente a capacidade da escuta. Pessoas que estão ouvindo atentamente, percebem o dito, mas também, o não dito. E, justamente por isso, são capazes de se conectarem.

Pense nas famílias, todas formadas por membros com suas próprias rotinas, sonhos, medos, necessidades e frustrações. Na maioria das vezes, de naturezas bem diferentes. Aquilo que é extremamente relevante para um adolescente de 16 anos, pode não causar a menor preocupação no pai da família, que está com a mente imersa no material da próxima reunião. Mas, criar um espaço onde todos os membros sintam que há lugar para falar e serem ouvidos, é essencial. Caso contrário, manteremos as nossas relações em níveis superficiais e estaremos limitados a imergir apenas naquilo que diz respeito a nós mesmos. Quando falamos da necessidade de se criar uma boa comunicação dentro de nossos lares, estamos, inevitavelmente, destacando o papel da escuta.

Vamos para uma lista de 5 atitudes para sermos melhores ouvintes? A começar, pela ação básica e essencial para todo aquele que se coloca no papel da escuta: o de perguntar.

5 atitudes para tornar-se um bom ouvinte:

  • Aprenda a demonstrar interesse – Ao perguntar para alguém sobre o seu dia, demonstre um interesse genuíno, faça perguntas específicas e aprenda a ouvir as respostas com atenção. Na prática, por mais que seja uma atitude simples, pode se tornar uma missão difícil encontrar tempo em meio a agenda repleta de tarefas domésticas, prazos do trabalho, demandas de filhos, além de todas as suas próprias preocupações. Ao contrário do que muitos pensam, um bom ouvinte não é aquele que apenas ouve sem interromper. Mas, sobretudo, aquele capaz de criar interações significativas.
  • Não seja controlado pelas distrações – Conversar com alguém que a cada poucos segundos, checa a tela do celular, é uma experiência muito desagradável. Estamos tão habituados com essa atitude, que vivemos como quem está com as abas em “segundo plano” de forma permanente. Há sempre uma notícia a ser checada, um e-mail a ser enviado, um áudio a ser escutado. Mas, como estão as suas relações interpessoais? O que você sabe sobre aqueles com os quais convive? Caso precise checar algo que não pode ser ignorado, explique para a pessoa, que poderá parar de falar pelo momento que precisa. Depois, volte para a conversa e dessa vez, esteja de fato presente.
  • Esqueça um pouco de si mesmo – Não se assuste com essa instrução, veja como o raciocínio fará sentido: você já esteve em uma conversa onde, por mais que quisesse falar, era constantemente interrompido? Ou ainda, não importa o que você fale, o outro sempre cita alguma experiência relacionado a ele? É extremamente impertinente. Por isso, ao estar conversando com alguém, simplesmente escute. É claro que podemos compartilhar as nossas experiências, mas cuidado para não ter a tendência de sempre querer direcionar a conversa para si mesmo. Você pode estar fazendo isso sem perceber.
  • Antes de responder, avalie seus julgamentos – Quando conversamos com alguém, principalmente com aqueles que julgamos ter mais intimidade, pode ser difícil não preparar uma resposta pronta, carregada de juízos de valor. Na maioria das vezes, pensamos estar ajudando, contribuindo com a nossa “sabedoria” ou experiência. Acontece que, em muitas situações, a pessoa com quem conversamos precisa de alguém que o escute, não que liste passos a serem seguidos. Quando estamos do lado de fora, pode parecer fácil propor soluções e comportamentos resolutivos. Lembra-se da empatia que vimos no começo do texto? Existem situações nas quais tudo o que o outro precisa é estar com alguém capaz de se colocar no seu lugar. Talvez, você se pergunte: como saber se estou diante de uma conversa que exige que se fale menos e escute mais?
  • Aprenda a observar – A quinta e última dica não costuma ser uma habilidade associada a capacidade de escuta, mas na verdade, ela é essencial. Apenas quando observamos atentamente ao outro, percebemos os sinais que eles emitem. Um pé que não para de balançar, um olhar distante, mudanças bruscas de humor. Quando já se está no meio de um diálogo, conseguimos perceber se a pessoa apenas precisa desabafar, de alguém que o escute. Nem sempre precisaremos oferecer soluções. A observação precisa ser treinada de modo intencional, decida estar atento ao que está ao seu redor.

Para mais conteúdos sobre relacionamentos, me acompanhe no meu perfil do Instagram — @psimichellebranquinho. Diariamente, compartilho vídeos e conteúdos com o foco no desenvolvimento de habilidades comunicativas e de boas práticas para as suas relações.

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