abandono
Michelle Branquinho

Michelle Branquinho

Dicas para superar o medo do abandono

Quando crianças, a ideia do abandono parece mais assustadora do que qualquer imagem de monstros debaixo da cama. Bastam alguns segundos em meio aos corredores de um supermercado sem avistar o conhecido, para surgir a iminente sensação de perda e insegurança. Os corredores parecem mais largos, as pessoas mais assustadoras, o tempo parece soar mais devagar e nesse instante, identificar um rosto conhecido é o suficiente para devolver o ar.

Na vida adulta, podemos recriar ambientes parecidos. Nem sempre os motivos são racionais ou podem ser explicados de maneira precisa, um exemplo é a sensação de abandono após a morte de alguém querido. Nos pensamentos, sabe-se que não houve um abandono pretendido. Entretanto, a consciência não é suficiente para remover a sensação de solidão e de certo modo, de ressentimento diante do vazio deixado. O que explica as fases comuns do luto que associam sentimentos como mágoa, raiva e senso constante de injustiça diante do trauma emocional.

Outras causas comuns para o medo do abandono:

  • Ausência física de um dos genitores na infância;
  • Longos períodos isolados quando criança;
  • Necessidade de independência de forma precoce;
  • Traumas emocionais advindos de relacionamentos anteriores;
  • Experiências que lhe despertaram o sentimento de rejeição.

             Em seu livro “As cinco feridas emocionais”, a escritora Lise Bourbeau associa o indivíduo que vivencia o medo do abandono como um ser dependente. Você pode se questionar: dependente de que? As respostas podem ser muitas, mas para simplificar podemos dizer que nesses casos, a “presença” — física e emocional — é o que sustenta o grande valor para essas pessoas. A ideia da não presença gera desconforto, insegurança, medo e instabilidade das emoções.

Sinais dados por quem acredita que será abandonado:

  • Necessidade de aprovação e dificuldade em contradizer o outro;
  • Hábito de fazer discursos com tendências de autovitimização;
  • Exagera o peso das situações e dramatiza acontecimentos;
  • Procura assumir grandes papeis na vida de outras pessoas e procuram se mostrar disponíveis e indispensáveis;
  • Evita ocasiões onde terá que desempenhar atividades por si só;

Todos esses sinais podem ser vivenciados em maiores e menores graus, a depender do nível de influência das experiências emocionais na vida desse indivíduo. Os resultados, como já mencionei anteriormente, é uma vida movida a dependência e dificuldade de apreciar a si mesmo. Isso porque é comum que pessoas dependentes demonstrem baixa autoestima e altos níveis de insegurança — é como um ciclo que apenas reforça as necessidades e resiste às mudanças.

Se você ainda está aqui na leitura deste artigo, certamente precisa saber que reconhecer a situação da dependência é o primeiro passo para romper com esse ciclo. O que é visto em inúmeros casos é o dependente que esconde de si mesmo a sua própria situação. Aceitar essas limitações pode significar romper com o que parece ser a sua sustentação: o outro ou aquilo que pode lhe ser oferecido. Sem dúvidas, não é uma tarefa fácil, mas é possível. E uma vez realizada, passa a apresentar um novo panorama de sensações — liberdade, confiança e bem-estar mental.

Alternativas efetivas para superar o medo do abandono:

  • Comunique-se claramente: Pode parecer estranho, mas falar abertamente para o outro que você vive o medo de ser abandonado pode ser melhor para ambas as partes. Isso se aplica facilmente em relacionamentos afetivos, onde costuma-se imaginar o que outro pensa e sente, sem muitas vezes de fato ouvir o que o outro tem a dizer.
  • Encare o passado como passado: Em muitos casos, o abandono realmente foi vivenciado. Seja físico ou emocional, o abandono deixa marcas profundas e feridas que precisam ser tratadas de forma específica (aqui entra o papel primordial de uma ajuda profissional). Mas, o primeiro passo é você ativamente enxergar o passado como ele é. Procure dar mais forças para o seu presente — para quem você está se tornando agora e para aqueles que diariamente decidem (porque desejam) permanecer em sua vida.
  • Crie espaços para a independência: Por mais desafiador que pareça ser, todos nós podemos aprender a desfrutar da nossa própria companhia. Comece com passos menores, como idas ao cinema, para depois avançar para marcos mais desafiadores, como matrículas em aulas de dança, viagens ou até mesmo cursos que despertam o seu interesse. Passe a se questionar: o que faz sentido para mim? Como eu posso aproveitar melhor o tempo que passo apenas ao “lado” do meu próprio eu? Experimente!
  • Busque ajuda terapêutica: Como foi dito ao longo do artigo, o medo do abandono constantemente é associado a feridas mais profundas e antigas, como experiências passadas na infância e relações construídas ao longo da vida. Muitos passam a acreditar que não merecem ser amados. Enxergam uma lista de fatores que pensam estar errados a respeito de si mesmos. Há certas profundidades que serão melhor avaliadas em consultas psicoterapêuticas, com profissionais que saberão fazer o diagnóstico preciso e melhor aplicado às suas necessidades e limitações.

O medo do abandono é possível de ser superado e existem diversos recursos que poderão ajudá-lo a repensar as maneiras pelas quais você tem enxergado os contextos ao seu redor.

Se gostou deste artigo e deseja ler mais conteúdos relacionados, você pode me acompanhar em minha página profissional no Instagram @psimichellebranquinho, estou sempre por lá.

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