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Michelle Branquinho

Michelle Branquinho

O que são os jogos psicológicos em relacionamentos?

Manipulações, atribuição de culpa, cobranças intensas, chantagens emocionais. Essas são algumas das características de um relacionamento que vive sobre as regras de jogos emocionais, capazes de gerar na pessoa envolvida a sensação de se estar preso em um lugar com poucas opções de saída. Nesse tipo de relacionamento, sobrecarregados por instabilidade, a única constante é a inconstância. Afinal, como saber se você está preso a um jogo psicológico?

Recentemente, produzi uma transmissão ao vivo no meu perfil do Instagram (@psimichellebranquinho) sobre esse tema que envolve um número expressivo de relações, que atinge mais pessoas do que podemos imaginar. As consequências podem ser graves para o seu relacionamento, desde o afastamento entre parceiros, até ciclos de isolamento, perda de intimidade, confiança e conflitos constantes. Prossiga com a leitura deste artigo para entender as causas e possíveis soluções para esses jogos emocionais. Vamos para o primeiro tópico?

O que é um jogo psicológico?

Você já ouviu essa expressão? Esses jogos emocionais não são observados apenas em relacionamentos amorosos, podendo ser recorrentes em ambientes de trabalho, nas relações familiares e até mesmo nas próprias amizades. Em muitos casos são feitos de forma sutil, com sinais que podem ser vistos até mesmo como normais em um relacionamento. É importante destacar que em alguns casos, principalmente quando envolvem agressões verbais, comportamentos agressivos e descontroles emocionais, podem ser sinais de casos mais graves, como os observados em relacionamentos abusivos. O propósito deste artigo é focalizar os casos de menor impacto, em que não se verifica a ameaça de violência.

Os jogos seguem um padrão repetitivo de interações, podendo ser conscientes ou não. Em geral, o jogador busca pela sensação de controle, de sentir-se atendido e valorizado a todo instante. Observe a seguir os tópicos que ilustram algumas das situações mais comuns:

  • Chantagens emocionais a partir do não recebimento do que se deseja;
  • Hábito de culpar pela frustração das suas expetativas e anseios;
  • Ameaças de colocar um fim no relacionamento quando o parceiro não o atende da forma esperada;
  • Cobranças excessivas e expectativas inalcançáveis;
  • Vitimizações e acusações;
  • Discursos que o fazem sentir-se inadequado, insuficiente e errado em todas as situações;

             Quais são as principais causas?

Quem vive dentro de um jogo emocional parece estar sempre abrindo mão de algo, mudando suas prioridades, fazendo exceções. Pode se tornar comum a escuta de frases como: “Você não me ama?”; “Por que você nunca demonstra que sou importante?”, ou ainda, “faturas emocionais” que parecem sempre mostrar registros do passado, expressas em cobranças e acordos.

Será possível encontrarmos algumas causas que auxiliam na identificação da origem das ações assumidas pelos “jogadores”? Separei algumas das que mais observo em meu consultório:

  • Atitudes observadas nos relacionamentos dos próprios pais e absorvidas como padrões de relações;
  • Dificuldade em lidar com a intimidade requisitada por um relacionamento e vê alternativa na criação de “capas” e barreiras emocionais;
  • Necessidade de receber atenção e de se colocar no centro, ainda que seja por meio de conflitos e discussões;
  • Dependência emocional dos parceiros exibida na necessidade de criar vínculos de controle e mecanismos contra o que percebe como indiferença;
  • Problemas com a própria autoestima e insegurança em relacionamentos;
  • Os jogos podem ser usados para camuflar conflitos e problemas nos relacionamentos;

              O que fazer se estou preso a um jogo psicológico?

As consequências do prolongamento de jogos psicológicos nos relacionamentos podem criar sérias barreiras emocionais, conflitos constantes e prejuízos para a própria autoimagem da parte que está sobre a influência dos recursos de controle e manipulação. Uma vez que você já identificou os sinais, o que pode ser feito? Ou ainda, como saber refletir se você mesmo não pode estar sendo o autor de tais jogos? É o que pretendo responder nas listas a seguir:

  • O jogo está sempre a serviço de determinada finalidade, por isso, comece com o questionamento: o que está impulsionando esse jogo?
  • Aceite as suas próprias vulnerabilidades, não assuma a posição que visa carregar todos os problemas sem pedir ajuda;
  • Não assuma uma posição de vítima, mas procure ajuda para romper com o ciclo de repetições e manipulações;
  • Posiciona-se como uma figura ativa, capaz de estabelecer limites e de fazer imposições coerentes com seus valores e princípios;

                 E se eu for o autor de jogos psicológicos?

  • Caso se reconheça como autor desses jogos psicológicos, questione a sua necessidade de controle e de autoafirmação;
  • Procure identificar os padrões que observou durante a infância e esteja disposto a fazer transformações nas suas concepções sobre os papeis em uma relação;
  • Pense antes de agir: entenda a individualidade do seu parceiro (a) e esteja disposto a ceder diante de diferenças de opiniões;
  • Reveja ações autoritárias, busque permitir espaços para diálogos e pratique a sua escuta atenta com mais constância, o relacionamento deve abrigar as necessidades de ambas as partes envolvidas;

Após a leitura deste artigo você já possui o conjunto de informações necessárias para reconhecer a presença de jogos psicológicos em seu relacionamento, trata-se de uma temática extensa e que precisa ser observada com atenção.

Caso queira prosseguir com seus estudos sobre jogos psicológicos, recomendo a pesquisa do conceito de “Triângulo dramático”, desenvolvido pelo Psiquiatra norte-americano Stephen Karpman. Acesse o meu perfil @psimichellebranquinho caso deseje ter acesso a mais conteúdos sobre esse e outros assuntos centrados em relacionamentos amorosos, além de, caso preferir, me mandar uma mensagem para me dizer se este artigo foi útil para o seu relacionamento.

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