mentindo
Michelle Branquinho

Michelle Branquinho

Você está mentindo para si mesmo?

Descobrindo o autoengano:

Talvez a melhor forma de caracterizar esse comportamento seja a partir de um outro conceito: o autoengano. Afinal, quando se trata de “escondermos” a verdade de nós mesmos, não se trata propriamente de uma mentira, que tem intenção calculada e é consciente dos seus efeitos, mas de uma camuflagem que, em muitos casos, se dá de forma inconsciente.

As causas para o hábito de se autoenganar são variadas e vamos conversar melhor sobre elas ao longo deste artigo. Antes de prosseguirmos, sugiro que você pare por um momento para se fazer a seguinte pergunta: existem problemas ou conflitos que apesar de estar consciente sobre sua existência, você procura não pensar sobre isso, com o intuito de bloquear o que te faz sentir mal, por exemplo? Se a resposta positiva, sugiro que continue a leitura deste artigo para saber mais sobre o porquê nos autoengamos.

  • Por que nos autoenganamos?

A frase popular: “uma mentira repetida várias vezes se torna uma verdade” nos ajuda a entender as “raízes” do processo de autoengano. Diante de problemas, dúvidas e conflitos reais, criar versões fantasiosas ou distorcidas da realidade podem ser eficientes para a transmissão da falsa sensação de controle e calmaria. A mente humana cria um mecanismo de proteção, que procura reduzir danos e levantar barreiras contra desconfortos.

O indivíduo que já está adepto às práticas de autoengano apresenta tendências a culpar terceiros, se distanciando de suas responsabilidades, seja para evitar o sentimento de fracasso, para diminuir a sensação de culpa ou para continuar a acreditar na versão da realidade criada por si mesmo. Assim, o ciclo do autoengano ganha força e, em casos extremos, pode gerar graves danos.

  • Como podemos nos autoenganar?
  • Pacientes que protelam consultas médicas pelo medo do diagnóstico ou do prosseguimento com o tratamento necessário; pode-se citar os casos de pessoas que possuem histórico familiar com tendência a manifestação de doenças mais graves, por exemplo, que se recusam a fazer exames de prevenção;
  • Terceirização da culpa pelo fim de relacionamentos, direcionando toda a responsabilidade para o ex parceiro (a);
  • Incapacidade de admitir erros ou defeitos, mostrando-se indisponível para mudanças de comportamentos e demonstrando aversão às críticas;
  • Indivíduos que se mantêm presos aos relacionamentos nocivos ou disfuncionais, por acreditarem que os problemas são passageiros ou que haverá mudança no parceiro (a);

Esses são apenas alguns entre a lista extensa de exemplos, entretanto as semelhanças que vemos entre estes comportamentos é a dificuldade de lidar com as situações a partir da maneira como elas realmente se apresentam.

Como seres humanos temos a tendência natural de nos autoprotegermos, evitar frustrações e de nos mantermos em posições que gastam o menor número de energia possível. Essa lógica se aplica ao físico, afinal biologicamente o nosso organismo protege o nosso corpo mantendo tudo o que precisamos em seus “devidos lugares”, mas também é uma realidade quando o assunto são os nossos pensamentos e emoções.

 

  • Quais são as principais consequências desse comportamento?
  • Nos casos de negligência com o acompanhamento médico, notoriamente os efeitos poderão se dar sobre o quadro geral do indivíduo, que afeta as possibilidades de tratamento e de prevenção;
  • Prejuízos na manutenção de relacionamentos e dificuldades para construir boas relações futuras, motivados pela incapacidade de assumir responsabilidades e lidar de maneira saudável com seus defeitos e limitações;
  • Ausência de crescimento pessoal, profissional ou financeiro. Um exemplo comum é o caso de pessoas que negam ter problemas com o gasto descontrolado e assim se veem presas ao endividamento, no entanto, sem reconhecer as raízes e magnitude do problema;
  • Incapacidade de receber feedbacks críticos e por isso, persistem em suas zonas de conforto, com a tendência de culpar terceiros (chefes e colegas de trabalho são alguns dos exemplos) pelas suas próprias atitudes no ambiente de trabalho;

 

  • Como vencer o autoengano?

Você acabou de ler alguns pontos da extensa lista de efeitos que este comportamento cria na realidade dos sujeitos afetados. Mas, podemos ainda citar alguns sentimentos, como: amargura, tensão, sentimento de frustração e solidão, pela dificuldade de se abrir com outras pessoas.

O primeiro passo é o reconhecimento do problema, afinal você precisa compreender que está preso a um ciclo que apenas camufla as causas do desconforto, mas que não as soluciona.

Algumas perguntas que podem te ajudar: eu sou capaz de reconhecer os meus erros? Conheço os meus vícios e impulsos? Qual é a minha reação diante de críticas? Desisto de projetos e sonhos por já ter me convencido de que não conseguirei realizá-los? Com as respostas dessas reflexões, você começará a compreender os pontos-chave do seu processo de autoengano.

Além disso, com a ajuda terapêutica conseguimos compreender mais profundamente as causas destes pensamentos limitadores, afinal é por meio do autoconhecimento que se torna possível conhecer os seus pontos fortes e fracos, indispensáveis para o seu próprio amadurecimento.

A partir do momento em que você se conhece com clareza e assertividade, verá como é possível se desprender da necessidade de se autoproteger dos próprios “muros” levantados pelo autoengano! A transparência sobre si mesmo é sempre o caminho.

Quer conversar mais sobre este tema? Envie uma mensagem para o meu perfil @psimichellebranquinho no Instagram.

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