inferiorização
Michelle Branquinho

Michelle Branquinho

Você se sente inadequado?

“Não adequado, que não convém nem é apropriado ou oportuno; inconveniente”, essa é a definição que o dicionário nos oferece para a palavra “inadequado”. Talvez os seus sentimentos em relação a si mesmo estão te guiando a vivenciar exatamente essa descrição, afinal, você julga que seus comportamentos são inapropriados, e pode até pensar que a sua opinião jamais será vista como oportuna ou ainda, que seus sentimentos são inconvenientes. A verdade é que nos sentimos inadequados quando nos comparamos com o que para nós, é sinônimo de adequado, certo ou agradável. Usamos padrões externos para delimitar objetivos cada vez mais inalcançáveis e assim, nos retraímos.

  • Por que não me sinto suficiente?

Começar a fazer essa pergunta a si mesmo pode ser o começo do caminho da mudança, isto porque não há como lidarmos com um problema se de fato não o conhecemos, por mais doloroso que seja o processo. É claro que todos enfrentam certo nível de frustração em seus dias, pois sempre identificamos uma situação em que poderíamos ter agido de forma diferente, falado algo a mais ou simplesmente ter pensado mais de uma vez antes de dar uma opinião.

Saiba bem disso, que todos enfrentam esses processos, caso você ainda acredite que apenas você sente que carrega essa sensação. O incomum é quando esse sentimento impede você de ser quem é, de emitir suas opiniões e considerações ou de seguir com seus projetos, por acreditar que nunca terão um bom resultado.

É comum que pessoas que estejam presas ao complexo de inferioridade se disfarcem pelo que chamam de perfeccionismo. No entanto, esse padrão de comportamento pode revelar algo mais sério: a autoimagem distorcida e cobrança exagerada que leva ao indivíduo a ser incapaz de elogiar seus projetos, prosseguir com suas metas pessoais ou até mesmo, conhecer novas pessoas.

Caso você se reconheça nesses “sintomas”, não se desespere. A suficiência completa não existe, nunca haverá um ponto onde você sente que não há nada para ser melhorado. Por isso, encarar este fato como uma oportunidade e não como um fardo é o começo de uma jornada de transformação. Quer saber como?

  • O que fazer com o sentimento de inadequação?

Separei 3 conselhos que quando aplicados, são eficientes em nos ajudar a romper com o ciclo do sentimento de inadequação, que frequentemente traz consigo uma bagagem de outras sensações negativas, relacionadas com hábitos de comparação, inferiorização e vitimização. Vamos para as dicas?

  • Busque inspiração, não comparação:

O sentimento de inadequação expressa a possibilidade da existência de algo “adequado”, ou seja, se eu me sinto inadequado, logo, estou me comparando com algo que julgo ser o certo ou aceitável. Padroniza-se o que é se considerado bom, digno de ser admirado. É saudável você buscar referências que ajudem você a despertar a sua melhor versão, no entanto, você não nasceu para viver como cópia de alguém. Considere as suas próprias qualidades, talentos e o seu próprio contexto, que é diferente do seu próximo.

Sigmund Freud afirma: Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons”. Você nunca será igual a alguém e esse nem deve ser o seu objetivo. O hábito do autojulgamento excessivo torna impossível a apreciação dos próprios pontos positivos, por isso, aprenda com bons exemplos, mas reconheça o que já existe de bom em si mesmo.

  • Livre-se da inferiorização:

A incapacidade de reconhecer seus pontos fortes ou o incômodo, ou até mesmo desconfiança diante do recebimento de elogios, não deve ser confundida com humildade. Isto porque tais atitudes podem esconder as raízes do que chamamos de complexo de inferioridade, constantemente verificado na vida de quem costuma se sentir inadequado. O primeiro passo para romper com esse ciclo é permitir-se olhar atentamente para si mesmo, buscando entender a origem de tais sentimentos. Talvez, você já tenha sido duramente criticado em certa situação por alguém que cuja opinião considerava relevante.

Por outro lado, você pode se sentir menosprezado por acreditar que não consegue entregar resultados satisfatórios ou que não tenha nada de especial. Essas crenças limitantes criam barreiras que o impedem de enxergar o seu próprio potencial. Separe uma manhã para listar características que gosta em si mesmo e comece a perceber como elas se expressam em seu dia-a-dia.

  • Abandone a vitimização

Pessoas que colocam as suas fragilidades no centro de suas vidas podem constantemente expressar seus sentimentos por meio da agressividade, irritação ou ainda, por uma persistente melancolia. É comum que o sentimento de inadequação venha acompanhado por falas insistentes como: “Ninguém me entende”; “Eu nunca tenho uma oportunidade”; “Você não passa pelo o que eu estou passando”; “Eu não tenho nada de bom para oferecer”. Se você se reconhece em uma ou talvez, em todas essas falas, reconheça que precisa de ajuda. Depois, comece a refletir sobre a responsabilidade que apenas você possui em criar a imagem que deseja transmitir para as outras pessoas.

A repetição de pensamentos ligados a comparação, inferiorização e vitimização criam barreiras que dificultam a criação de relacionamentos saudáveis, o que transmite a sensação ilusória de que deve haver algo de errado com você. Entender como esse processo funciona abre caminho para a mudança, você está preparado?

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